O Ferrari 340 America está equipado com os motores 12 cilindros “Long Block” de 4101cc e 220/230 CV de potência (às 6000rpm), projectados por Aurelio Lampredi, que procurava um motor capaz de bater os Alfa Romeo de Fórmula 1 em 1949. Como os V12 de origem Colombo tinham características que não lhe permitiam aumentar a sua cilindrada total para os 4500 cc, Lampredi desenvolveu uma nova geração de motores de 12 cilindros (a 60°), com o objectivo de os desenvolver até aos 4,5 litros de capacidade, para os usar na nova Fórmula 1 destinada a monolugares com motores atmosféricos. O 1º surgiu nos inícios de 1950, foi o 275 de 3,3 litros, para em Julho desse ano ser desenvolvido para os 4,1 litros e finalmente, em Setembro, surgir o 4,5 litros.
O motor de 4,1 litros (caixa de cinco velocidades e três carburadores 40DCF) foi apresentado no Salão de Paris em Outubro de 1950, montado num chassis 275 S (#0030MT), que para o efeito foi ligeiramente aumentado e recarroçado por Touring. Em 1951 foi apresentado, no Salão de Turim, o 2º protótipo do 340 America, igualmente realizado a partir do 2º chassis 275S (#0032MT) e igualmente com uma carroçaria barchetta Touring. Seguidamente foram produzidas carroçarias por Vignale e Ghia, tendo o último modelo sido produzido pela fábrica a 23 de Julho de 1952 (um coupé Vignale).
Apesar de se tratar de um modelo para competição, oito modelos tiveram um uso de estrada e quinze foram usados em corridas. O chassis (2420mm) tinha um estrutura tubular em aço, com secção oval, e a carroçaria em alumínio.
A designação America advém do facto deste motor ter sido testado na Carrera Pan Americana.


Nº de chassis construídos (1950/1952): Total de 23 entre #0082A e #0238A.

                                                          

Principais características técnicas:


Motor:

V12 a 60º (frente, longitudinal)
Cilindrada: 4101,66 cc (80x68mm)
Cilindrada unitária: 341,80 cc
Taxa de Compressão: 8:1
Potência máxima: 220/230 CV às 6000 rpm
Distribuição: Duas válvulas por cilindro, árvores de cames simples
Alimentação: Três carburadores Weber 40DCF
Ignição: Simples, dois distribuidores

Transmissão:

Caixa de cinco velocidades + marcha atrás. Diferencial convencional. Tracção às rodas traseiras

Châssis:

Monobloco com tubos de aço de secção elíptica
Suspensão frontal: Rodas independentes, quadriláteros deformáveis, molas de folhas transversais e amortecedores hidráulicos.
Suspensão traseira: Eixo rígido, molas de folhas semi-elípticas longitudinal e amortecedores hidráulicos.
Travões: Tambor com comando hidráulico
Reservatório de combustível de 135 litros

Carroçaria:

Berlinetta ou Barchetta de dois lugares. Em aço.

Pneus:

Frente e trás: 6.40 - 15

Dimensões:
Distância entre eixos: 2420 mm
Peso: 900 Kg

Prestações:

Velocidade máxima: 240 Km/h


(Dados baseados em documentos oficiais)

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#0082A




O Ferrari 340 America Vignale Berlinetta (#0082A), foi o primeiro chassis da série, tinha condução à direita, e estava equipado com amortecedores Houdaille e caixa de 5 velocidades. Este foi um dos quatro modelos construídos com esta configuração, e foi o 1º da série 340 America a ser construído de raíz. Teve originalmente a cor vermelha e iniciou de forma brilhante a sua carreira desportiva com a vitória a 29 de Abril de 1951 nas 1000 Milhas, através da equipa constituída por Luigi Villoresi e Piero Cassani. Curiosamente, foi Luigi “Gigi” Villoresi, que quando foi chamado por Enzo Ferrari para pilotar na sua equipa para a clássica italiana, que exigiu correr com a versão fechada do 340 America, para, segundo disse na altura, não estar à mercê da intempérie durante as cerca de 12 horas da corrida. E assim correu com o 340 America Vignale Berlinetta.

Este automóvel, foi posteriormente vendido a Casimiro de Oliveira, numa parceria com o seu amigo José Júlio Marinho: o 1º utlizava-o em provas desportivas e o 2º numa mais pacífica utilização para passeio (matricula MR-13-30). De referir que no catálogo da Ferrari desse ano, o 340 America era apresentado como um automóvel de corrida, sendo que o 342 America, equipado com uma caixa de quatro velocidades sincronizadas, tinha, de uma forma geral, características mais civilizadas que fazia com que fosse um automóvel destinado exclusivamente a uso de estrada. Nesta altura o 340 America (#0082A) já não ostentava a cor vermelha mas sim dois tons de verde, para além de ter sido feita uma revisão geral à mecânica. 
Em 1952 foi vendido a José Arroyo Nogueira Pinto, que dele fez igualmente uma utilização desportiva. Em 1953 foi adquirido pelo americano Viviano Corradini, que alinhou com o #0082A em algumas corridas em solo americano. Posteriormente, este 340 America trocou várias de vezes de proprietário, até ser adquirido em 1999 pelo americano Jack Croul, que ainda o possui.


1951

II Circuito Internacional do Porto
I Grande Prémio de Portugal
17 de Junho
Casimiro de Oliveira (nº14)
Treinos: 1º
Corrida: 1º 
(v.m.r.)
(Foto: Coleção Manuel Taboada)

X Circuito Internacional de Vila Real
15 de Julho
Casimiro de Oliveira (nº2)
Treinos: 4º
Corrida: 3º
(Foto: António Cândido Taboada)


1952


III Circuito Internacional do Porto
II Grande Prémio de Portugal
22 de Junho
José Nogueira Pinto (nº20)
Treinos: 7º
Corrida: 4º

XI Circuito Internacional de Vila Real
6 de Julho
José Nogueira Pinto (19)
Treinos: 5º
Corrida: Não terminou
(Foto: Colecção José Francisco Correia)


Rampa da Penha
(2ª prova do Campeonato Nacional de Rampa)
27 de Julho
José Arroyo Nogueira Pinto (Nº34)
2º do grupo I (acima de 2000cc)

Rampa de Santa Luzia
15 de Agosto
José Arroyo Nogueira Pinto (Nº34)
3º da Geral

III Circuito de Vila do Conde
31 de Agosto
José Nogueira Pinto (nº17)
Treinos: 3º
Corrida: Não terminou


(Foto: Colecção Manuel Taboada)
IV Circuito de Vila do Conde
27 de Setembro
José Nogueira Pinto (nº5)
Treinos: 3º
Corrida: 3º

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#0030MT




Giovanni Bracco utilizou no I Grande Prémio de Portugal no Porto um Ferrari 340 America Touring Spider (#0030MT); um Ferrari que iniciou a sua carreira como 275S, utilizando o 1º motor feito por integralmente por Lampredi na Ferrari. Este motor surgiu após a decisão de construir um novo motor aspirado, de 4,5 litros (375), destinado a ser utilizado nas corridas de Formula 1. O primeiro passo evolutivo em direcção ao motor 375 foi o de 3,3 litros (275). Curiosamente, e em contra ciclo com aquele que seria mais tarde o procedimento habitual em Maranello, o motor foi testado pela 1ª vez num automóvel de Sport, o 275S, quando foi utilizado por Ascari e Villoresi nas 1000 Milhas de 1950. Os 275 S Barchetta Touring #0030MT (Ascari / Nicolini, nº 728) e #0032MT (Villoresi / Cassani, nº731). Logo após as Mil Milhas, o #0030MT voltou para Maranello, onde lhe foi montado um motor 340, retirado de um dos Fórmula 1(#340/1)
Em Outubro de 1950, surge  no Salão de Paris.
Em 1951, o #0030MT foi adquirido pela Scuderia Marzotto, tendo Vittorio utilizado o 340 America nas Mil Milhas desse ano, a 28 e 29 de Abril. (nº411). No I Grande Prémio de Portugal, Giovanni Bracco utilizou este 340 America, cedido pelos irmãos Marzotto.
Em 1954, recebeu nova carroçaria, desta feita realizada por Scaglietti, que ainda ostenta actualmente.
Motor Tipo: 340 F1
Chassis Tipo: 340 A


1951


II Circuito Internacional do Porto
I Grande Prémio de Portugal
16/17 de Junho
Giovanni Bracco (nº15)
Treinos: 9º
Corrida: Não terminou
(Fotos: Jornal O Volante/Coleção Manuel Taboada)

Para mais pormenores sobre esta prova: http://ferrariemportugal51.blogspot.com/

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#0122A


Um 340 America Berlinetta LM Touring, com posto de condução à direita. Inicialmente de cor preta e com os interiores castanhos. Esteve exposto no 35º Salão Automóvel de Bruxelas, em Janeiro de 1952.
Depois de ter sido propriedade de alguns belgas, que lhe deram um uso puramente estradal, foi adquirido em 1953 pela Garage Francorchamps, que por sua vez o vendeu, em 1954, a Pierre d'Haveloose que o utilizou em diversas provas em território belga. Em 1957 foi comprado por Armand Blaton (mais tarde sogro de Jack Ickx) que o usou igualmente em algumas competições. Em 1958 voltou à posse da Garage Francorchamps, que o inscreveu (em conjunto com a Equipe Nationale Belge) em duas provas no Continente Africano, no Grande Prémio de Leopoldville (a 7 de Setembro) e no Grande Prémio de Angola (21 de Setembro), em ambas pilotado por Yves Tassin. Nesta altura estava pintado de cor vermelha.
Com estas provas, terminou a carreira desportiva deste 340 America.


1958


II Grande Prémio de Angola
20 e 21 de Setembro
Yves Tassin (nº16)
8º Treinos
10º  Corrida (50 voltas, 2h.26' 14,50s / 94,795 Km/h)
(Foto: retirada de um filme da época / Colecção Manuel Taboada)